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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

UM DESABAFO

Nem sempre aceitei que queria ser professora. Já quis ser muita coisa. Meu primeiro vestibular foi para comunicação social, mas dizia que queria dar aula sobre aquilo depois. 

No fundo, ensinar era algo realmente impressionante pra mim. Nunca fui autodidata em nada; sempre precisei de um mestre para me guiar e disciplinar, por isso tanto me admirava a profissão. 

Dizem, e isso é fato, que um curso pré-vestibular tem como objetivo principal te colocar numa faculdade, portanto não teria lá muito compromisso com uma educação crítica e questionadora, no entanto minha experiência foi o oposto. Foi no pH que encontrei alguns dos mestres mais inesquecíveis da minha vida. Ouvindo as aulas cheias de catarse de Filipe Couto, Simas, Rodrigo Bueno e Ana Maria vi que era aquilo que eu queria. Queria ter a oportunidade de abrir os olhos de alguém como eles fizeram comigo. Queria provocar aquele incomodo bom que eles provocaram em mim. E, se fosse para dar aula, que eu fizesse letras ou algum outro curso com ênfase no ensino.

Posso dizer sem medo que saíra de Macaé sem ter tido na escola uma aula sobre segunda metade do século xx. Meus professores de história do ensino médio pararam lá pelos anos 20. Por sorte, tinha um vovô comunista golpeado pela crise das utopias que, quando aparecia, preenchia essas lacunas.

E foi história minha opção e minha direção. Passei em todos os vestibulares que prestei. Escolhi UFF. Lá tive a oportunidade de conhecer mais tantos mestres. O que seria da minha formação se não tivesse ouvido as porradas que saem da voz doce da Adriana Facina ? Como não sair por aí defendendo a Idade Média de todo preconceito, se não fosse o Mario Jorge? Como não se apaixonar por Brasil império com a Gladys? Como não se impressionar com a erudição do finado Ciro?

Além de conteúdo, aprendi na faculdade que história é luta, é contato, é ternura, mas também é porrada que se leva e que se dá. E lá fui dar minhas cabeçadas em sala de aula.

Deparei-me com o lado sujo da educação. Colégios que defendem pais em detrimento do funciotário, com medo de perder seus alunos; MUITA puxação de tapete e de saco pela velha guarda (todo colégio tem seu conselho dos anciãos que parece estar acima do bem e do mal); professores que se utilizam da hierarquia para seduzir menores de idade; desigualdade salarial; piadas preconceituosas (de gênero, cor, comportamento, tipo físico); horas-aulas a valores irrisórios; turmas abarrotadas e por isso tumultuadas; falta de condições mínimas para trabalho; defesa do discurso global de alienação do aluno. Não sei se repararam, mas apesar das interrupções, brincadeiras fora de hora e desavenças fortuitas, não teci uma só crítica aos alunos...

Hoje, o professor bom de verdade tem nada para comemorar. A educação no nosso país é uma piada sem graça. Paulo Freire não passa da secretaria dos institutos de deseducação desse país explorado e oprimido que criou um desejo infame de ser o opressor. O mais bem educado não é aquele que terá status no futuro, mas aquele que tiver tirado da sua educação o alimento pra alma. Educação não é mercado de trabalho! Não é estimular a competição! Tá tudo errado. O professor que luta é agredido; o que defende o certo é suprimido. Eu perdi as batalhas que travei e joguei a toalha: em sala de aula de depósito de filho de coxinha (que passou uma vida ouvindo asneira dentro de casa e as repete acriticamente) eu não  trabalho mais. Ser professor é uma merda. Quem resiste e é do bem é foda pra caralho. Quem faz o jogo do patrão é merda e deveria mais era ganhar um calo nas cordas vocais pra dar lugar a quem presta. 

Saí da sala de aula esse ano, porque vem coisa boa por aí. Não deixarei matarem minha idealista interior. 





terça-feira, 1 de setembro de 2015

MARLON BRANDO RECUSOU O OSCAR POR SEU PAPEL EM "THE GODFATHER", SABE POR QUÊ?




Menina suja e descalça trabalhando numa jornada de quase 11 horas na Nova Inglaterra, em 1910, quando o capitalismo era livre e a organização sindical e as greves eram proibidas.
 
Catado daqui.