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segunda-feira, 15 de julho de 2013

BANCO DE QUESTÕES OBJETIVAS E DISCURSIVAS DE VESTIBULAR COM GABARITO SOBRE A REPÚBLICA VELHA (1889/1930)

1. (Cesgranrio) A identificação dos governos da República Velha com os interesses da economia cafeeira pode ser expressa pelo(a):
a) financiamento, através do Banco do Brasil, para o plantio de novas lavouras, no Encilhamento.
b) estatização das exportações, com o objetivo de garantir os preços, durante a Primeira Guerra Mundial.
c) adoção de uma política de valorização, reduzindo a oferta do produto, a partir do Convênio de Taubaté.
d) controle da mão-de-obra camponesa e apoio à imigração, com a Lei Adolfo Gordo.
e) isenção de tributos assegurada no programa de estabilização de Campos Sales.

2. (Fatec) "Cabo de enxada engrossa as mãos - o laço de couro cru, machado e foice também. Caneta e lápis são ferramentas muito delicadas. A lida é outra: labuta pesada, de sol a sol, nos campos e nos currais (...) Ler o quê? Escrever o quê? Mas agora é preciso: a eleição vem aí e o alistamento rende a estima do patrão, a gente vira pessoa."
                               (Palmério, Mario. VILA DOS CONFINS).

Com base no texto é correto afirmar que, na República velha,
a) o predomínio oligárquico, embora vinculado à manipulação do processo eleitoral, estava longe de estabelecer qualquer compromisso entre "patrão" e empregados.
b) a campanha eleitoral levada a cabo pelos chefes políticos locais visava a atingir, principalmente, os trabalhadores urbanos já alfabetizados e menos embrutecidos pela "labuta pesada".
c) a transformação operada no trabalhador durante o período eleitoral representava a marca de um sistema político que estendia o poder dos grandes proprietários rurais, dos "campos e currais", aos Municípios e, daí, à capital do Estado.
d) o predomínio oligárquico, baseado em favores pessoais, buscava, sobretudo, dissolver os focos de tensão social e oposição política, representados nas diversas formas de organização dos trabalhadores rurais naquele momento.
e) o período eleitoral era o único momento em que os chefes locais se voltavam para os seus subordinados, impondo-lhes seus candidatos e dispensando-os dos trabalhos que "engrossavam as mãos".

3. (Fuvest) O período de 1900 a 1930, identificado no processo histórico brasileiro como República Velha, teve por traço marcante:
a) o fortalecimento da burguesia mercantil, que se utilizou do Estado como instrumento coordenador do desenvolvimento.
b) a abertura para o capital estrangeiro, principal alavanca do rápido desenvolvimento da região amazônica.
c) a modificação da composição social dos grandes centros urbanos, com a transferência de mão-de-obra do Centro-Sul para áreas do Nordeste.
d) o pleno enquadramento do Brasil às exigências do capitalismo inglês, ao qual o país se mantinha cada vez mais atrelado.
e) o predomínio das oligarquias dos grandes Estados, que procuravam assegurar a supremacia do setor agrário-exportador.

4. (Fuvest) O desenvolvimento da cafeicultura no Brasil durante a República Velha (1889-1930) criou condições para a deflagração de um processo de industrialização na região Sudeste porque
a) a maior parte dos lucros provenientes da cafeicultura ficava nas mãos dos produtores nacionais, e era investida em atividades industriais.
b) os governos estaduais contraíam empréstimos no exterior para o financiamento da produção de café, mas investiam parte desses recursos nas indústrias de base.
c) os bancos brasileiros passaram a desenvolver programas de financiamento da indústria com o lucro obtido na comercialização do café que financiavam.
d) a exportação do café gerava superávits que o governo federal, através de incentivos fiscais, transferia do setor agrícola para o industrial.
e) a expansão econômica provocada pelo café contribuiu para a formação do mercado interno, e nos períodos de superprodução parte da mão-de-obra era transferida para a indústria.

5. (Fuvest) A Semana de Arte Moderna de 1922, que reuniu em São Paulo escritores e artistas, foi um movimento:
a) de renovação das formas de expressão com a introdução de modelos norte-americanos.
b) influenciado pelo cinema internacional e pelas ideias propagadas nas universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.
c) de contestação aos velhos padrões estéticos, às estruturas mentais tradicionais e um esforço de repensar a realidade brasileira.
d) desencadeado pelos regionalismos nordestino e gaúcho, que defendiam os valores tradicionais.
e) de defesa do realismo e do naturalismo contra as velhas tendências românticas.

6. (Fuvest) No Brasil, a década de 20 foi um período em que:
a) velhos políticos da República, como Rui Barbosa, Pinheiro Machado e Hermes da Fonseca, alcançaram grande projeção nacional.
b) as forças de oposição às chamadas "oligarquias carcomidas" se organizaram, sem contudo apresentar alternativas de mudança.
c) as propostas de reforma permanecendo letra morta, não se configurou nenhuma polarização político-ideológica.
d) a aliança entre os partidos populares e as dissidências oligárquicas culminou com a derrubada da República Velha nas eleições de 1o de março de 1930.
e) ocorreram agitações sociais e políticas, movimentos armados, entre eles a Coluna Prestes, e várias propostas de reforma foram debatidas.

7. (Fuvest) A política do café, durante a Primeira República,
a) chegou ao auge do protecionismo com o Convênio de Taubaté passando depois a reger-se pelas leis do mercado.
b) procurou atender aos interesses dos cafeicultores através de constantes medidas de proteção ao produto.
c) pode ser equiparada à de outras produções agrícolas, todas elas amparadas por Planos de Defesa.
d) atendeu exclusivamente aos interesses dos grandes grupos internacionais, através dos Planos de Defesa.
e) foi dirigida pelo governo do Estado de São Paulo, enquanto o poder federal mantinha uma atitude distante e neutra.

8. (Fuvest-gv) No final do século XIX e início do século XX o Nordeste foi assolado pelos cangaceiros, bandos armados que roubavam, sequestravam e matavam em seu próprio benefício ou a serviço de chefes políticos.  

Contribuíram para o aparecimento desse grande contingente de marginalizados:
a) os movimentos revolucionários republicanos dos fins do Império.
b) a grande migração de nordestinos para a colheita da borracha na Amazônia.
c) a propaganda da guerrilha comunista entre os camponeses.
d) o processo de urbanização e industrialização que expulsou muitos camponeses de suas terras.
e) a concentração da propriedade, o aumento demográfico e os efeitos da seca.

9. (Mackenzie) "Preocupado em derrubar as velhas oligarquias..., acabou utilizando os velhos costumes políticos de corrupção e coação, anteriormente criticados através de um novo elemento: as tropas federais (...). Substituindo uma oligarquia por outra, mantinha a desigualdade social, agora com novos beneficiados.”.
(Antônio Mendes Jr. e Ricardo Maranhão, BRASIL HISTÓRIA-REPÚBLICA, vol. III).
           
O texto relata um momento histórico do governo Hermes da Fonseca que se denominou:
a) Política do Café com Leite.
b) Política das Salvações.
c) "Funding-Loan".
d) Política Desenvolvimentista.
e) Socialização dos Prejuízos. 
10. (Mackenzie) Na República Velha, ocorreu um extraordinário impulso à industrialização do Brasil: imigrantes chegavam em grandes levas, proporcionando mão-de-obra qualificada, novas técnicas de produção e ideias anarquistas e socialistas.

Sobre sociedade e economia nesse período, é incorreto afirmar que:
a) o principal centro da industrialização brasileira foi o Estado de São Paulo, onde aconteceu a greve geral de 1917, paralisando toda a Capital.
b) os setores urbanos, classe média e proletariado industrial, consolidaram a hegemonia das oligarquias agrárias durante o período.
c) em 1907, foi aprovada a Lei Adolfo Gordo, legalizando a expulsão de estrangeiros acusados de atentar contra a segurança nacional.
d) o anarquismo, difundido principalmente por imigrantes italianos, lutava pelo fim do Estado e melhores condições de trabalho.
e) a oferta de mão-de-obra era superior ao número de vagas nas empresas.

11. (Pucpr) Assim, enquanto Prestes aderia ao comunismo - mostrando, ao mesmo tempo, que a vitória de Getúlio Vargas significaria a mera substituição de uns grupos oligárquicos por outros no poder, (...) os "tenentes se deixavam envolver pela campanha da Aliança Liberal...”.
               
(Prestes, Anita Leocádia. "Uma epopeia brasileira - a Coluna Prestes", Editora Moderna, 1995, pág. 103)

Interpretando o texto e com ajuda de seus conhecimentos históricos, assinale a única alternativa correta:
a) Luiz Carlos Prestes, principal líder da "Coluna Prestes", pretendia derrubar o governo opressivo de Epitácio Pessoa.
b) a Aliança Liberal defendia a candidatura de Júlio Prestes, que governava São Paulo.
c) os Tenentes, expressão do movimento político do "Tenentismo", representavam a ideologia socialista e revolucionária.
d) os grupos oligárquicos substituídos representavam principalmente a cafeicultura.
e) A "Coluna Prestes" nunca foi completamente derrotada pelos legalistas, porque fazia a "guerra de posições", enquanto aqueles faziam a "guerra de movimento".

12. (Pus) Recentemente as páginas de um jornal paulista foram ocupadas pela polêmica entre um renomado filósofo e um conhecido político do nordeste brasileiro.  Este último foi apontado por seu debatedor como sendo praticante de "coronelismo".

A expressão "coronelismo", cunhada na década de 30, no Brasil, diz respeito a uma prática política que se define:
a) pela articulação de governadores dos estados mais poderosos com o objetivo de sustentar algum candidato ao poder executivo.
b) pelo controle político regional exercido através de favorecimentos e constrangimentos pessoais.
c) pelo comando de "lobbies" no Congresso Nacional com a finalidade de assegurar posições pessoais.
d) pela aliança de proprietários de terras com setores politizados do Exército.
e) pela utilização de canais de comunicação de massa com objetivos políticos.

13. O anarquismo (anarco-sindicalismo), uma das correntes políticas do movimento operário na República Velha (1889 -1930), lutava:
a) pela organização do proletariado urbano em partidos políticos, como forma de pressionar o governo a adotar uma legislação trabalhista que defendesse os direitos dos trabalhadores contra a exploração capitalista.
b) pela eleição de líderes sindicais para o Congresso, onde poderiam defender melhor as reivindicações operárias contra os interesses oligárquicos e da burguesia industrial exploradora.
c) pela formação de sindicatos mais combativos e dispostos a negociar com a burguesia industrial a manutenção da propriedade privada e a participação dos operários nos lucros das fábricas.
d) pela cooperação com o Estado, desde que este respeitasse o direito de greve, a livre negociação do operariado em sindicatos e aprovasse leis que defendessem melhores condições de trabalho nas fábricas.
e) pelo fim do sistema capitalista, da divisão da sociedade em classes e da abolição da propriedade privada e do Estado através da ação direta do operariado organizado em sindicatos.

14. Com relação à revolução de 1930, do ponto de vista econômico-social, é possível afirmar que ela:
a) assinala o início da primazia política das classes médias sobre o Estado;
b) representa a derrota da burguesia mercantil diante das pressões conjuntas do campesinato e operariado urbano;
c) traduz a vitória do tenentismo, das camadas médias e dos segmentos industriais sobre os setores agroexportadores;
d) identifica a passagem para a dominação burguesa no Brasil, com a vitória dos grupos industriais;
e) significa o início do desenvolvimentismo e a decadência da agricultura de exportação.

15. (Uel) O coronelismo, fenômeno social e político típico da República Velha, embora suas raízes se encontrem no Império, foi decorrente da:
a) promulgação da Constituição Republicana que institui a centralização administrativa, favorecendo nos Estados as fraudes eleitorais.
b) supremacia política dos Estados da região sul - possuidores de maior poder econômico - cuja força advinha da maior participação popular nas eleições.
c) montagem de modernas instituições - autonomia estadual, voto universal - sobre estruturas arcaicas, baseadas na grande propriedade rural e nos interesses particulares.
d) instituição da Comissão Verificadora de Poderes que possuía autonomia para determinar quem deveria ser diplomado deputado - reconhecendo os vitoriosos nas eleições.
e) predominância do poder federal sobre o estadual, que possibilitava ao governo manipular a população local e garantir à oligarquia a elaboração das leis.

16. (Ufmg) A POLÍTICA DOS GOVERNADORES, instituída no governo Campos Sales (1898-1902), significou a resolução da contradição instituída pela Constituição de 1891.
Essa contradição se dava entre:
a) a naturalização compulsória e a livre escolha da cidadania brasileira.
b) a política de valorização do café e a indústria nascente.
c) o bicameralismo e a democracia indireta.
d) o federalismo e o presidencialismo.
e) os presidentes militares e os cafeicultores paulistas.

17. (Ufrrj) Segundo Anita Prestes, "o tenentismo vinha preencher o vazio deixado pela falta de lideranças civis aptas a conduzirem o processo revolucionário brasileiro que começava a sacudir as já caducas instituições políticas da República Velha".
                PRESTES, Anita. "A Coluna Prestes". São Paulo: Brasiliense, 1995, p. 73.

De acordo com o texto, é correto afirmar que
a) os "tenentes" queriam moralizar a vida política nacional, propondo uma ampla aliança de esquerda.
b) os "tenentes" queriam deixar de ser meros "jagunços" nas mãos das oligarquias estaduais, amparados por um programa democrático.
c) os "tenentes" queriam pôr fim à política democrática instaurada com a República Velha e promover um regime ditatorial, único capaz de finalizar o atraso econômico representado pelas antigas oligarquias cafeeiras.
d) os "tenentes" apresentaram-se como substitutos dos frágeis partidos políticos de oposição aos regimes oligárquicos e à desorganização da sociedade.
e) o tenentismo representou um movimento que buscava romper com a tradição de intervenção militar na política, presente desde a Proclamação da República.

18. (Ufsm)      Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem... Em que contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas coisas de tupi, do folk-lore, das suas tentativas agrícolas... restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! (...) A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete.

Esse trecho, retirado de "Triste fim de Policarpo Quaresma", refere-se aos momentos finais da personagem central, vividos na consolidação da República. 

Do ponto de vista da história, esse drama é vivido também pelos:
a) fazendeiros de café e cana-de-açúcar que veem, com pesar, o reordenamento econômico nacional no sentido da industrialização.
b) integrantes das classes médias urbanas que assistem, assustados, ao avanço da classe operária organizada.
c) intelectuais que se afastam da estética acadêmica e aspiram a uma arte nacional e popular.
d) membros das oligarquias rurais alijados do poder central que buscam um pacto de poder que favoreça seus interesses.
e) setores urbanos que vislumbram, na República, um regime político capaz de integrá-los à nação, proporcionando benefícios.
 
19. (Unesp) A República Brasileira, na última década do Século XIX, caminhava para a consolidação da oligarquia dos coronéis-fazendeiros. A crise econômico-financeira agravava as condições de vida na cidade e no campo. 

A rebelião de Canudos pode ser entendida como movimento de:
a) hesitação dos mandatários políticos em desfechar medidas repressivas contra a gente oprimida.
b) tensão social agravada pela expulsão dos camponeses que atuavam nas frentes pioneiras catarinenses e paranaenses.
c) resistência da população sertaneja contra a estrutura agrário-latifundiária e as medidas repressivas oficiais.
d) descontentamento dos fanáticos que buscavam efetivar práticas liberais burguesas.
e) rebeldia dos jagunços que se opunham à rede de açudes e às campanhas de combate às secas.

20. (Unitau) No governo Rodrigues Alves (1902-1906), ocorreu a revolta da vacina, que estava contextualizada:
a) na modernização e no saneamento do Rio de Janeiro.
b) na modernização e no saneamento do Brasil como um todo.
c) no combate às doenças epidêmicas promovido pela ONU.
d) na recepção aos imigrantes.
e) na oposição entre os setores rural e urbano.

21. (IFBA 2012) Leia. 

O encontro de Rodolfo Cavalcante com Lampião 
(Trecho de Cordel) 

Foi Virgulino Ferreira 
Pobre homem injustiçado 
E por isto vingativo 
Se tornou um acelerado, 
Se a justiça fosse reta 
Nem jornalista ou poeta, 
O teria decantado. 
(...) 
Embora seja criança 
Com meus 15 anos de idade 
Pude ver em Lampião 
Vítima da sociedade. 
Talvez ele em outro meio 
(Posso dizer sem receio) 
Era útil à humanidade ! (...) 
CAVALCANTE, Rodolfo Coelho. O encontro de Rodolfo Cavalcante com Lampião Virgulino. Salvador: [s.n.], 1973. In: CATELLI Jr, Roberto. História: texto e contexto. São Paulo: Scipione, 2006. p. 499. 

Para o autor do Cordel Lampião é uma “vítima da sociedade”. 

Dentro desta perspectiva histórica, o cangaço é um fenômeno social resultante 
a) das alianças firmadas entre jagunços e coronéis no sentido de perpetuar o poder oligárquico no sertão brasileiro. 
b) das brigas entre os grandes coronéis, que incentivavam a formação de grupos de cangaceiros para se fortalecerem. 
c) dos conflitos entre famílias poderosas, que levavam alguns de seus membros a entrarem no cangaço para eliminar os inimigos. 
d) das poucas oportunidades oferecidas aos sertanejos em um contexto social marcado pela exploração oligárquica, pela miséria e pela fome. 
e) das disputas políticas entre grupos de jovens sertanejos, que se armavam e lutavam entre si para garantir o domínio de algumas cidades ou região. 

22. (Uerj 2012) O cangaço representou uma manifestação popular favorecida, basicamente, pela seguinte característica da conjuntura social e política da época: 
a) cidadania restringida pelo voto censitário 
b) analfabetismo predominante nas áreas rurais 
c) criminalidade oriunda das taxas de desemprego 
d) hierarquização derivada da concentração fundiária 

23. (Unesp 2012) Nunca se viu uma campanha como esta, em que ambas as partes sustentaram ferozmente as suas aspirações opostas. Vencidos os inimigos, vós lhes ordenáveis que levantassem um viva à República e eles o levantavam à Monarquia e, ato contínuo, atiravam-se às fogueiras que incendiavam a cidade, convencidos de que tinham cumprido o seu dever de fiéis defensores da Monarquia. 
(Gazeta de Notícias, 28.10.1897 apud Maria de Lourdes Monaco Janotti. Sociedade e política na Primeira República.) 

O texto é parte da ordem do dia, 06.10.1897, do general Artur Oscar e trata dos momentos finais de Canudos. Para o militar, o principal motivo da luta dos canudenses era a 
a) restauração monárquica, embora hoje saibamos que a rejeição à República era apenas uma das razões da rebeldia. 
b) valorização dos senhores rurais, ligados ao monarca, cujo poder era ameaçado pelo crescimento e enriquecimento das cidades. 
c) restauração monárquica, que, hoje sabemos, era de fato a única razão da longa resistência dos sertanejos.  
d) valorização do meio rural, embora hoje saibamos que Antônio Conselheiro não apoiava os incêndios provocados por monarquistas nas cidades republicanas. 
e) restauração monárquica, o que fez com que a luta de Antônio Conselheiro recebesse amplo apoio dos monarquistas do sul do Brasil. 

24. (Uerj 2012) Cheio de apreensões e receios despontou o dia de ontem, 14 de novembro de 1904. Muito cedo tiveram início os tumultos e depredações. Foi grande o tiroteio que se travou. Estavam formadas em toda a rua do Regente, estreita e cheia de casas velhas, grandes e fortes barricadas feitas de montões de pedras, sacos de areia, bondes virados, postes e pedaços de madeira arrancados às casas e às obras da avenida Passos. 
Jornal do Comércio, 15/11/1904 . Adaptado de Nosso Século (1900-1910). São Paulo: Abril Cultural, 1980. 

O progresso envaidecera a cidade vestida de novo, principalmente inundada de claridade, com jornais nervosos que a convenciam de ser a mais bela do mundo. Era a transição da cidade doente para a maravilhosa. 
PEDRO CALMON (historiador / 1902-1985). Adaptado de Nosso Século (1900-1910). São Paulo: Abril Cultural, 1980. 

Os textos referem-se aos efeitos da gestão do prefeito Pereira Passos (1902-1906), momento em que a cidade do Rio de Janeiro passou por uma de suas mais importantes reformas urbanas. Uma intervenção de destaque foi a abertura da avenida Central, hoje avenida Rio Branco, provocando não só elogios, como também conflitos sociais. 

A principal motivação para esses conflitos esteve relacionada à: 
a) restrição ao comércio popular 
b) devastação de áreas florestais 
c) demolição de moradias coletivas 
d) elevação das tarifas de transporte 

25. (Unesp 2012) A Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros no interior do Brasil entre 1924 e 1927, associa-se 
a) ao florianismo, do qual se originou, e ao repúdio às fraudes eleitorais da Primeira República. 
b) à tentativa de implantação de um poder popular, expressa na defesa de pressupostos marxistas. 
c) ao movimento tenentista, do qual foi oriunda, e à tentativa de derrubar o presidente Artur Bernardes. 
d) à crítica ao caráter oligárquico da Primeira República e ao apoio à candidatura presidencial de Getúlio Vargas. 
e) ao esforço de implantação de um regime militar e à primeira mobilização política de massas na história brasileira. 

26. (Uff 2012) A chamada República Velha, no Brasil, também conhecida como “República Oligárquica”, é normalmente caracterizada como um período de amplo acordo entre os grupos dominantes regionais, quase sem fissuras entre os poderosos do país. Um olhar mais cuidadoso, porém, demonstra que, desde o início, as disputas entre esses grupos se fizeram presentes. No início da década de 1920, as frações de classe que dominavam os estados do Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul se aliaram, na disputa pela Presidência da República, para enfrentar o acordo entre São Paulo e Minas Gerais – a política do café com leite. 

Esse movimento ficou conhecido como 
a) Reação Republicana. 
b) Convênio de Taubaté. 
c) Frente Ampla. 
d) União Democrática Nacional. 
e) Campanha Civilista. 

27. (Ufpa 2012) Acerca da natureza e dinâmica da economia exportadora brasileira durante o Império (1822-1889) e a Primeira República (1889-1930), é correto dizer que: 
a) a borracha se tornou não somente o principal produto de exportação da região amazônica, mas o segundo produto brasileiro da pauta de exportações, apenas atrás do café, sendo a exportação da borracha uma importante atividade no cenário econômico brasileiro. 
b) houve a hegemonia da produção açucareira; o açúcar de cana brasileiro foi beneficiado pela expansão de mercados consumidores europeu e norte-americano, face ao aumento do consumo de cafés, chás e chocolates nos países desenvolvidos. O açúcar de beterraba de origem russa, entretanto, ocupava uma posição cada vez mais secundária. 
c) houve o declínio da economia lastreada na cafeicultura por conta do fim da escravidão, uma vez que o trabalho escravo havia sido o suporte da produção do café, tanto que era comum se dizer que “O Brasil era o café, o café era o escravo”; consequentemente o Brasil passou à condição de importador do café de origem africana. 
d) não houve qualquer vínculo entre o processo de industrialização brasileiro e a economia agroexportadora, uma vez que a indústria no Brasil surgiu do trabalho e de investimentos de imigrantes europeus recém-chegados e instalados em centros urbanos. Os brasileiros vinculados à economia agroexportadora mantiveram-se, assim, afastados. 
e) a economia da borracha, apesar de sua importância na geração de riquezas na região amazônica, teve tal importância restrita ao norte do Brasil, uma vez que entre os principais produtos brasileiros exportados a borracha ficava entre os últimos, por isso mesmo tornou-se incapaz de gerar recursos para a nação como um todo. 

28. (Upf 2012) A República Velha (1889-1930) no Brasil teve na chamada “Política dos Governadores” um dos seus elementos mais caracterizadores. 

O objetivo desta política era: 
a) Fortalecer o poder central diante do fortalecimento das oligarquias estaduais. 
b) Dissolver as oligarquias rurais, concentrando o poder nos governos estaduais. 
c) Promover o fortalecimento da Federação do Brasil, dividindo o poder entre Estados fortes e fracos no país. 
d) Enfraquecer as alianças oligárquicas estaduais que comprometessem nas eleições a sucessão presidencial.
   
e) Harmonizar os interesses dos Estados mais ricos, ao mesmo tempo em que favorecia os objetivos do poder central em relação à política nacional. 

29. (Unicamp simulado 2011) A reação popular conhecida como Revolta da Vacina se distinguiu pelo trágico desencontro de boas intenções: as de Oswaldo Cruz e as da população. Mas em nenhum momento podemos acusar o povo de falta de clareza sobre o que acontecia à sua volta. Ele tinha noção clara dos limites da ação do Estado. 
(Adaptado de José Murilo de Carvalho, “Abaixo a vacina!”. Revista Nossa História, ano 2, nº 13, novembro de 2004, p. 74.) 

A Revolta da Vacina pode ser considerada como uma reação popular contra a ação do Estado porque:
a) o povo não se revoltava contra a obrigatoriedade da vacinação, mas contra os meios violentos pelos quais o Estado a executava, demolindo cortiços e expulsando os pobres para os morros. 
b) o povo se revoltava contra certas medidas do governo, como a expulsão de moradores e a demolição de cortiços para a abertura de avenidas, e a vacinação obrigatória, realizada com intervenção violenta da polícia. 
c) o povo se revoltava contra a ação do Estado, por considerá-la um desrespeito à moral das famílias, embora desejasse a vacinação gratuita e obrigatória. 
d) o povo se revoltava contra a obrigatoriedade da vacinação porque essa medida era tomada por um governo ditatorial, que fechou o congresso nacional e ficou conhecido como “república da espada”. 

30. (Uerj 2011) Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, mandamos esta honrada mensagem para que Vossa Excelência faça aos marinheiros brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilitam. Tem Vossa Excelência 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a Pátria aniquilada. 
Adaptado do memorial enviado pelos marinheiros ao presidente Hermes da Fonseca, em 1910. 
In: MARANHÃO, Ricardo e MENDES JUNIOR, Antônio. Brasil história: texto e consulta. São Paulo: Brasiliense, 1983. 

Os participantes da Revolta da Chibata (1910-1911) exigiam direitos de cidadania garantidos pela Constituição da época. 

As limitações ao pleno exercício desses direitos, na Primeira República, foram causadas pela permanência de: 
a) hierarquias sociais herdadas do escravismo. 
b) privilégios econômicos mantidos pelo Exército. 
c) dissidências políticas relacionadas ao federalismo. 
d) preconceitos étnicos justificados pelas teorias científicas. 

31. Proclamada a República inicia-se um novo período na História política do Brasil: “A República Velha ou Primeira República”. A respeito dos primórdios da República é correto afirmar. 

A fase e o primeiro presidente da República foram respectivamente:
a)República Oligárquica e Hermes da Fonseca
b)República da Espada e Deodoro da Fonseca
c)República da Espada e Floriano Peixoto
d)República Oligárquica e Prudente de Morais
e)República da Espada e Campos Sales.

32. A chamada “Política dos Governadores”, instituída a partir do governo de Campos Salles, caracterizava-se por:
a) permitir que a escolha do Presidente da República fosse resultado de um consenso entre os governadores e desta forma manter o grupo político no poder.
b) tornar os governadores um mero instrumento do poder do Presidente da República e impedir a formação de novas lideranças contrárias ao governo federal;
c) acordo político que consistia na troca de favores entre os governos federal, estadual e municipal para manter os grupos políticos no poder.
d) tornar os governadores representantes de um federalismo liberal e democrático com objetivo de renovar as lideranças políticas;
e) promover, através dos governadores, a desarticulação das oligarquias locais e promover a renovação dos grupos políticos e lideranças locais.

33. "Não é por acaso que as autoridades brasileiras recebem o aplauso unânime das autoridades internacionais das grandes potências, pela energia implacável e eficaz de sua política saneadora das epidemias [...]. O mesmo se dá com a repressão dos movimentos populares de Canudos e do Contestado, que no contexto rural [...] significavam praticamente o mesmo que a Revolta da Vacina no contexto urbano". 
Nicolau Sevcenko. A revolta da vacina.

De acordo com o texto, a Revolta da Vacina, o movimento de Canudos e o do Contestado foram vistos internacionalmente como MOVIMENTOS : 
a) provocados pelo êxodo maciço de populações saídas do campo rumo às cidades logo após a abolição.
b) retrógrados, pois as agitações provocadas por estes movimentos populares dificultavam a modernização do país.
c) decorrentes da política sanitarista de Oswaldo Cruz.
d) indícios de que a escravidão e o império chegavam ao fim para dar lugar ao trabalho livre e à república.
e) conservadores, porque ameaçavam o avanço do capital norte-americano no Brasil.


34. Os movimentos messiânicos eram mais comuns do Brasil do que imaginávamos. Além de Canudos, várias revoltas envolvendo seguidores destes movimentos eclodiram durante a primeira metade de século passado. 

Como o Messianismo foi possível?
a) Devido a concentração latifundiária, o estado de miséria dos camponeses, a prática do coronelismo e a forte religiosidade popular.
b) Devido unicamente a religiosidade do sertanejo que encontrava nas práticas do messias um conforto para a vida miserável que estava submetido. 
c) Devido ao grande poder dos líderes messiânicos cujo prestígio era medido pela quantidade de eleitores que controlasse conseguindo desta forma se eleger para os cargos políticos.
d) Em virtude do temor que as profecias dos beatos causavam à população mais pobre, preferindo resignar-se a vida de perigrinações e orações para salvação da alma. 
e) Em razão do clima de insegurança que assolava o campo causado pelo banditismo obrigando a população mais pobre abrigarem-se nos movimentos messiânicos para se proteger.



35. O coronelismo foi uma peça importante da perversa engrenagem que impedia a representatividade política da maioria da população, principalmente a parcela da sociedade mais carente. 

Podemos definir o coronelismo como:
a) Sistema de poder cujo grupo político que alternava-se no poder federal como forma de garantir a manutenção dos privilégios aos seus respectivos Estados.
b) Sistema de poder que consistia na troca de favores entre o poder estadual e municipal a fim de garantir seus interesses políticos utilizando práticas fraudulentas para vencer as eleições.
c) Sistema de poder no qual o coronel era uma peça secundária e sua participação era ofuscada pela Comissão de Verificação, pois na prática era esta quem declarava os candidatos eleitos.
d) Sistema de poder baseado no coronel o líder político local, grande proprietário de terras que usava jagunços para formar os currais eleitorais, através de práticas de intimidação ao eleitor.
e) Sistema de poder político que arregimentava grande número de seguidores a partir de suas pregações religiosas que convenciam os mais pobres a se submeterem ao seu controle.


36. A Primeira República ou República Velha foi um período da História política do Brasil que se caracterizou pelo afastamento do ideal da República. O que deveria ser um governo para todos na prática era um governo de poucos. 


Sobre os fatos com os quais podemos caracterizar a Primeira República estão: 
I- Com o “voto de cabresto” os coronéis dominavam as clientelas rurais e manipulavam as eleições;
II- A política dos governadores consagrava a troca de apoio entre o governo federal e as oligarquias estaduais mantendo o mesmo grupo político no poder.
III- A política do café com leite foi o domínio da sucessão presidencial pelos cafeicultores de São Paulo e de Minas Gerais que alternavam-se na presidência da República.
IV- O Movimento dos Tenentes - o Tenentismo - que possuía caráter militar contribuiu para consolidar os governos da Primeira República.
V- As fraudes eleitorais eram exceção e não regra neste período, devido ao rigoroso trabalho de fiscalização do processo eleitorado efetuado pela Comissão de Verificação.

Assinale a alternativa verdadeira:
a) Apenas a alternativa I, está correta.
b) As alternativas I,II,III estão corretas.
c) As alternativas I,II,IV e V estão corretas.
d) As alternativas II,III e IV estão corretas.
e) Apenas a alternativa V está incorreta. 


37. Embora fossem movimentos ligados a questão agrária e a falta de justiça no campo Canudos e o Cangaço possuem finalidades distintas. 


Em relação a esta diferenciação dos objetivos do Cangaço e de Canudos podemos afirmar como correto que:
a) O cangaceiro tinha um fim social na sua prática, pois busca a posse da terra e a justiça social, saqueando e roubando dos ricos para doar aos pobres. Eram considerados os justiceiros pobres.
b) O cangaceiro não tinha nenhum fim social na sua prática, não busca a posse da terra e tampouco a justiça social. Luta simplesmente pela sobrevivência praticando a violência.
c) O cangaceiro é um tipo de bandido social que procura aplicar a justiça contra os desmandos dos poderosos no sertão nordestino.
d) Canudos não tinha nenhum fim social na sua prática, não busca a posse da terra e tampouco a justiça social. Luta simplesmente pela sobrevivência praticando o fanatismo religioso.
e) Canudos tinha um fim social, mas não busca a posse da terra apenas a justiça social mesmo que fosse alcançada por métodos violentos justificados pelo fanatismo religioso.


38- Sobre a Revolta de Canudos, assinale a alternativa INCORRETA. 

a) O seu principal líder foi Antônio Conselheiro.
b) Os sertanejos de Canudos lutavam contra a injustiça e a miséria persistente na região.
c) Caracterizou-se como um movimento de caráter messiânico.
d) A Guerra de Canudos foi tema do livro “Os Sertões”, do escritor Euclides da Cunha.
e) Os revoltosos de Canudos receberam apoio incondicional dos coronéis da região.

39. Os vaqueiros e os peões do interior escutavam o Conselheiro em silêncio, intrigados, atemorizados, comovidos... Alguma vez, alguém o interrompia para tirar uma dúvida. Terminaria o século? Chegaria o mundo ao ano 1900? Ele respondia (...) Em 1896, mil rebanhos correriam da praia para o sertão e o mar se tornaria sertão e o sertão mar (...).
Mario Vargas Llosa

O carismático Antonio Conselheiro, de que fala o texto acima, liderou a Revolta de Canudos em 1897. 

Podemos apontar como principais fatores da revolta:
a) o crescimento e a modernização da economia nordestina.
b) o apoio incondicional do sertanejo à Monarquia.
c) a impossibilidade de adaptação do sertanejo aos valores republicanos.
d) o abandono em que vivia o sertanejo, o coronelismo e a luta pelo acesso à terra.
e) a oposição contra a Igreja Católica, aliada dos monarquistas.


40. (UFRJ97)- “Canudos ficava num cenário que lembrava as paisagens descritas na Bíblia: uma região árida repleta de caatingas, rodeada por cinco serras ásperas e atravessada por um rio, o Vaza-Barris. Decidido a permanecer naquela autêntica fortaleza natural, e isso não deve ter escapado à percepção de Conselheiro, ele e seu grupo entraram em ação para construir uma comunidade onde estivessem livres do incômodo das autoridades religiosas católicas e políticas, bem como das leis republicanas, dos "coronéis", dos juízes, dos impostos, da justiça arbitrária, da política etc”.
(COSTA, Nicola S. Canudos – Ordem e Progresso no Sertão. São Paulo, Moderna, 1990)

O movimento de Canudos (1896-97), liderado pelo beato Antônio Vicente Mendes Maciel, o "Antônio Conselheiro", no sertão nordestino, é um dos mais conhecidos exemplos de movimentos místico-populares que marcou o início da República no Brasil. As problemáticas sociais que deram vida àquele movimento permanecem, até hoje, em grande parte sem solução.

Cite e justifique dois motivos pelos quais o povoado de Canudos incomodava as "autoridades políticas locais e religiosas".

41. (Cesgranrio 2011)  As cascas de banana da caricatura, que fariam escorregar e cair os candidatos ao Palácio do Catete, ganharam sua maior expressão com o golpe de 1937, que implantou o Estado Novo. Esse golpe possibilitou, após sete anos, a permanência de Getúlio Vargas no poder, consolidando uma ditadura que somente teve fim em 1945.

Nessa perspectiva:
a) cite duas medidas tomadas pelo governo do Estado Novo, explicando de que forma reforçaram a centralização política do período.
b) relacione as medidas tomadas por Getúlio Vargas para incentivar o desenvolvimento brasileiro à ascensão das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro no cenário nacional.

42. (Ufrj 2011)  Porcentagem de votantes nas eleições presidenciais entre 1894 e 1930

Candidato vencedor            Nº de votantes (em milhares)   % de votantes sobre a população
Prudente de Morais (1894)               345                                                2,2
Campos Sales (1898)                       462                                                2,7
Rodrigues Alves (1902)                     645                                                3,4
Afonso Pena (1906)                           294                                                1,4
Hermes da Fonseca (1910)              698                                                3,0
Venceslau Brás (1914)                      580                                                2,4
Rodrigues Alves (1918)                     390                                                 1,5
Epitácio Pessoa (1919)                    403                                                 1,5
Artur Bernardes (1922)                      833                                                 2,9
Washington Luís (1926)                     702                                                 2,3
Júlio Prestes (1930)                         1890                                                 5,6

Fonte: adaptado de Carvalho, José Murilo de. “Os três povos da República”. In: Carvalho, Maria Alice Resende de (org). República no Catete. Rio de Janeiro: Museu da República, 2001, p. 72.

Os dados eleitorais presentes na tabela indicam uma pequena participação popular nas eleições presidenciais na Primeira República (1890-1930).
Identifique duas restrições impostas pela Constituição de 1891 ao exercício do voto.

43. (Pucrj 2010)  Analise o discurso de Antônio Conselheiro, em Canudos, em 1890:

“(...) a república é o ludibrio [zombaria ou desprezo] da tirania para os fiéis (...) e por mais ignorante que seja o homem, conhece que é impotente o poder humano para acabar com a obra de Deus (...). O presidente da república, porém, movido pela incredulidade que tem atraído sobre ele toda sorte de ilusões, entende que pode governar o Brasil como se fora um monarca legitimamente constituído por Deus; tanta injustiça os católicos contemplam amargurados.”

Prédica “Sobre a república” Apud Jacqueline Hermann. Religião e Política no Alvorecer da República In: O Brasil Republicano. Volume 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 147-148.

a) INDIQUE a crítica central que o documento apresenta ao governo republicano.
b) IDENTIFIQUE um grupo social e sua principal motivação para se fixar em Canudos.

44. (Puc-rio 2009)  Leia a passagem do discurso proferido por Getúlio Vargas em agradecimento à manifestação popular ocorrida em Porto Alegre em 7 de Janeiro de 1938.

"Hoje, o Governo não tem mais intermediários entre ele e o povo. Não mais mandatários e partidos. Não há mais representantes de interesses partidários. Há sim o povo no seu conjunto e o governo dirigindo-se diretamente a ele, a fim de que, auscultando os interesses coletivos, possa ampará-los e realizá-los [...]".
                (Apud GOMES, Ângela de Castro. A política brasileira em busca de modernidade: na fronteira entre o público e o privado. In: "História da Vida Privada no Brasil". Vol. 4. São Paulo, Companhia das Letras, 1998. p. 511)

a) CITE duas características da Carta Constitucional de 1937.
b) EXPLIQUE como a política do Estado Novo (1937-1945) visava a atender "o povo no seu conjunto", fazendo referência a duas medidas e/ou ações do governo.

45. (Ufrj 2009)  "A consolidação da República liberal (1889-1930) foi completada com a sucessão de Prudente de Morais (1894-1898) por outro paulista, Campos Sales (1898-1902), que em seu governo concebeu um arranjo conhecido como política dos governadores".
                Fonte: Adaptado de FAUSTO, Boris. "História do Brasil". São Paulo: Edusp, 1995, p.258.

Apresente duas características da chamada Política dos Governadores.

46. (Uff 2007)      "O coronelismo é um sistema político, uma complexa rede de relações que vai desde o coronel até o presidente da República, envolvendo compromissos recíprocos. O coronelismo, além disso, é datado historicamente. Na visão de Vitor Nunes Leal ele surge na confluência de um fato político com uma conjuntura econômica. O fato político é o federalismo implantado na República (...) A conjuntura econômica era a decadência econômica dos fazendeiros."
                (Adaptado de CARVALHO, José Murilo de. "Mandonismo, coronelismo e clientelismo: uma discussão conceitual". In: ______. "Pontos e Bordados". Belo Horizonte: UFMG, 1998, p.131-32).

Com base no texto apresentado:
a) indique o período da História do Brasil em que o Coronelismo teve o seu auge;
b) levando-se em conta as transformações políticas verificadas no Brasil, sobretudo após a implantação da ditadura do Estado Novo em 1937, compare os regimes políticos baseados no Coronelismo e no Autoritarismo.

47. (Ufrrj 2007)  "Convênio entre os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, para o fim de valorizar o café, regular o seu comércio, promover o aumento do seu consumo e a criação da Caixa de Conversão, fixando o valor da moeda.
Art. 10. - Durante o prazo que foi conveniente, os Estados contratantes obrigam-se a manter nos mercados nacionais, o preço mínimo de 55 a 65 fr. em ouro, em moeda corrente do país, ao câmbio do dia, por saca de 60 quilos de café (...)."
                ["Documentos Parlamentares. Valorização do Café, tomo I", (1895-1906). RJ: Tipografia do Jornal do Comércio, 1915, p.228.]

O ano de 2006 assinala os cem anos da assinatura do Convênio de Taubaté, marco fundamental das políticas de valorização do café que se reproduziram até o final dos anos 20 do século passado.
a) Explique como seria alcançado o objetivo formulado no art. 10.
b) Aponte as razões que impediram a continuidade das valorizações do café, tal qual se davam, até então, a partir do final dos anos 20.

48. (Puc-rio 2007)  As transformações ocorridas no centro da cidade do Rio de Janeiro, resultantes das reformas urbana e sanitária implementadas pelo Prefeito Pereira Passos, no início do século XX, alteraram a fisionomia da cidade e as vidas de seus habitantes.
a) Cite duas transformações ocorridas, relacionando-as a uma dessas reformas.
b) Identifique e explique uma reação popular à reforma sanitária implementada durante o governo do Prefeito Pereira Passos, na cidade do Rio de Janeiro.

49. (Ufrj 2006)  "A revolta deixou entre os participantes um forte sentimento de auto-estima, indispensável para formar um cidadão. Um repórter de 'A Tribuna' ouviu de um negro acapoeirado frases que atestam esse sentimento. Chamando sintomaticamente o jornalista de cidadão, o negro afirmou que a sublevação se fizera para 'não andarem dizendo que o povo é carneiro'. O importante - acrescentou - era 'mostrar ao governo que ele não põe o pé no pescoço do povo'."
                Fonte: CARVALHO, José Murilo de. "Abaixo a vacina", in: Revista Nossa História. Ano 2, no13, novembro 2004, p.73-79.

A Revolta da Vacina (1904) a que se refere o texto, é considerada a principal revolta popular urbana da Primeira República (1889-1930).
a) Cite e explique dois motivos geradores de insatisfações que levaram a população da cidade do Rio de Janeiro a rebelar-se em 1904.
b) Identifique dois movimentos populares na área rural, à época da Primeira República.

50. (Ufrrj 2006)  "A esperança de um belo dia sagrando uma bela data e uma bela obra desfez-se, infelizmente, o sol não veio, e foi sob um aguaceiro impenitente e odioso, fino e pulverizado a começo, grosso e encharcante depois, que se foi ontem à inauguração da formosa avenida (...)".
                ("O País", 16/11/1905 - "15 de Novembro").

Está completando um século a inauguração festiva da Avenida Central, hoje Rio Branco, no centro da cidade do Rio de Janeiro, obra maior do prefeito Pereira Passos. Para sua construção centenas de imóveis foram derrubados. O conjunto das intervenções urbanas realizadas na época, sob a argumentação da modernização, embelezamento e higienização, dividiu a imprensa e a população durante todo o período do governo do Presidente Rodrigues Alves (1902/1906).

a) Apresente dois argumentos, sendo um contrário e um favorável, utilizados naquele momento em relação às reformas no Rio de Janeiro.
b) Cite a revolta popular ocorrida naquele período contra a ação "higienizadora" das autoridades.

GABARITO:

1.C    
2.E    
3.E    
4.E    
5.C    
6.E    
7.B    
8.E     
9.B
10.B  
11.D  
12.B  
13.E  
14.C  
15.C  
16.D   
17.D  
18.E
19.C  
20.A
21. D
22.D
23. A
24. C
25. C
26. A
27. A
28. E
29. B
30. A
31. B
32. C
33. B
34. A
35. D
36. B
37. B
38. E
39. D
40. Permitir o acesso a terra e combater a injustiça.
Ao permitir o acesso a terra a experiência de Canudos acabava na prática com a dependência dos sertanejos aos favores do coronel destruía o esquema de manutenção do poder das elites políticas ao reagir em relação a sujeição da população pobre ao mando dos coronéis e padres representantes do poder vigente.
41. a) Após o golpe de novembro de 1937, Getúlio Vargas determinou o fechamento do Congresso nacional e centralizou as atribuições do Legislativo. O governo proibiu a existência de partidos políticos e passou a exercer a censura sobre os meios de comunicação.

b) Vargas aprofundou a política industrialista, baseada num discurso nacionalista, e nessa época instalou no país a Companhia Siderúrgica Nacional, no Estado do Rio de Janeiro, favorecendo os polos industriais mais próximos.  

42. O candidato poderá indicar que estavam excluídos do voto: os mendigos; analfabetos; praças de pré, excetuando os alunos das escolas militares de ensino superior; os religiosos de ordens monásticas, sujeitas a voto de obediência, regra ou estatuto, que importasse a renúncia da liberdade individual.

Uma das características mais destacada quanto à limitação ao exercício da cidadania é a exigência de alfabetização. Vale notar a que os “praças” não votavam, ou seja, os soldados que não possuíam patente (a maioria). 

43. a) O candidato deverá mencionar como crítica central do documento a ideia de que a República era um tipo de governo que não respeitava as leis de Deus, representando, assim, a “tirania para os fiéis”. O presidente “movido por sua incredulidade”, realizava uma série de “injustiça aos católicos”, de que são exemplos a instituição do casamento civil e as eleições, que, segundo o Conselheiro, seriam manifestações do Anticristo.

Para Antônio Conselheiro, o legítimo poder emanava da vontade divina, explicando-se, assim, a sua defesa pela volta do regime monárquico no Brasil.

b) O candidato poderá identificar um dos seguintes grupos sociais: sertanejos pobres, ex-escravos e indígenas. A principal motivação que levou essas pessoas a seguirem Antônio Conselheiro e a se fixarem em Canudos era a situação difícil de suas vidas. Uma população pobre, sem terra (em decorrência da injusta situação fundiária do país), desassistida pelo governo. Os moradores de Canudos acreditavam que, após o Juízo Final, viveriam um momento de justiça e prosperidade. 

44. a) O candidato poderá citar que a Carta Constitucional de 1937 era autoritária e centralista; permitia ao presidente governar por meio de decretos-leis e nomear interventores para os estados; extinguiu os partidos políticos, aboliu a liberdade de imprensa, instituiu a censura, estabeleceu o estado de emergência reservando ao governo o direito de invadir domicílios, prender pessoas e aposentar funcionários públicos; proibiu as greves; estabeleceu o princípio da unidade sindical.

b) A política do Estado Novo visou atender "o povo no seu conjunto" uma vez que procurou atender os interesses dos setores industriais com a criação do Conselho Nacional do Petróleo (1938), da Companhia Siderúrgica Nacional (1941) e da Companhia Vale do Rio Doce (1942); os interesses do setor agrícola através da queima das sacas de café, do incentivo à produção de algodão, açúcar, borracha, cacau, pinho, mate; e os interesses dos trabalhadores urbanos por meio da organização de uma Justiça do Trabalho (1939), do estabelecimento de medidas tais como a Lei de Abono Familiar, o programa de construção de vilas operárias, o programa de recreação operária (que incluía atividades culturais e esportistas), e da sistematização e ampliação da legislação trabalhista com a "Consolidação das Leis do Trabalho" (1943). 

45. O candidato deverá apresentar duas das seguintes características da Política dos Governadores:
- o governo central sustentava os grupos dominantes nos Estados, enquanto esses, em troca, apoiavam a política do presidente da República;
- a instituição, na Câmara dos Deputados, da "Comissão de Verificação dos Poderes", instrumento através do qual eram validados os mandatos de deputados federais afinados com os grupos hegemônicos nos Estados e fiéis ao governo federal;
- fortalecimento do poder executivo; limitação da autonomia do poder legislativo e reforço nos poderes regionais e locais. 

46. a) República Velha ou Primeira República.

b) Destacar que o Coronelismo é "datado" porque ele se refere ao extremo federalismo vigente na Primeira República que, com a grande autonomia dos estados, dificultava o contato político direto entre os governantes e a população rural, na medida em que entre eles interpunha-se a figura do coronel. Seria em torno dele que os homens do campo e inúmeros agregados viviam, tomando-o como referência de prestígio, riqueza e proteção, embora fossem trabalhadores por ele explorados. Seria esse conjunto de dependentes - eleitores - que propiciava aos coronéis um instrumento para barganhar com os governos estaduais e federal, uma série de benefícios e benesses que lhe seriam concedidos em troca desse "maço de votos de cabresto", fundamental nas eleições republicanas da República Velha. Essa troca era a essência do chamado "compromisso coronelista" que, por um lado, assegurava ao coronel um poder político não mais compatível com sua situação econômica, que era de decadência. Por outro lado, o coronelismo tornou-se o pilar da política dos Governadores, ao assegurar com os votos de cabresto, a manutenção da própria Descentralização Republicana.
Com a "revolução de 1930" e a subida ao poder de uma aliança de setores agrários contrários à hegemonia dos cafeicultores paulistas, iniciou-se uma reestruturação do regime político brasileiro. Ela se dava no sentido da progressiva CENTRALIZAÇÃO do poder político em torno do Executivo federal, que seria reforçado visando a superar os REGIONALISMOS. A ditadura do Estado Novo foi o coroamento desse processo centralizador. O novo regime lançaria mão de medidas que promovessem a centralização das decisões políticas, a nacionalização da representação sindical das classes trabalhadoras urbanas via sindicalismo corporativista, além de estabelecer um sistema de ensino baseado em valores e princípios válidos para todo o território nacional. Além dessas, outras práticas autoritárias foram efetivadas durante o Estado Novo, como o fechamento do Parlamento, a Polícia Política etc., destinadas a assegurar o reconhecimento, EM NÍVEL NACIONAL, de uma só liderança política, no caso, Getúlio Vargas. Além disso, a expansão dos meios de comunicação, sobretudo o rádio, permitiu o acesso dos ocupantes do governo federal aos trabalhadores do campo ligados aos coronéis, não mais dependendo tão fortemente da intermediação coronelística para sua propaganda. Nesse sentido, enquanto o Coronelismo dava sustentação e respaldo à descentralização federativa na República Velha, o Autoritarismo do Estado Novo, com sua ideologia baseada no culto à Pátria, ao Poder Centralizado e aos valores nacionais, a ele se contrapôs, promovendo, além disso, o fim das barreiras fiscais interestaduais, consolidando o mercado nacional. 

47. a) A contratação de empréstimos no exterior pelos Estados vinculados ao Convênio objetivava financiar a formação do estoque regulador de café.

b) Com a eclosão da grande crise capitalista, no final dos anos 20, não houve mais a possibilidade de se contraírem empréstimos no exterior, o que levou a um enorme acúmulo de café sem compradores, à queda dos preços e à falência de inúmeros cafeicultores. 

48. a) O aluno deverá citar duas entre as seguintes ocorrências: o "bota abaixo" (demolição de velhos casarões e cortiços ); o alargamento das ruas e a consequente construção de avenidas, jardins e novos edifícios; a expulsão da população pobre do centro da cidade e a consequente ocupação dos morros e subúrbios, todas elas relacionadas à reforma urbana implementada durante o governo do prefeito Pereira Passos, nos primeiros anos do século XX. Ou ainda: a "campanha" de extermínio de ratos, transmissores da peste bubônica, obrigando a população a recolher o lixo ; a desinfecção e extermínio dos mosquitos transmissores da febre amarela (criação das brigadas de Mata - Mosquito) a partir da invasão das casas pelos "mata-mosquitos" e policiais, todas elas relacionadas à "reforma sanitária" que consistiu na criação, por parte do governo, de agentes sanitários que vacinavam as pessoas e faziam vistorias nas casas decidindo, inclusive, a demolição dos imóveis que consideravam perigosos à saúde pública, sem indenização aos moradores.

b) A "revolta da vacina", em 1904. O alunio deverá explicar que a reforma sanitária, citada anteriormente, provocou a reação de grande parte da população através dos jornais de oposição que criticavam o governo e que alertavam a população dos perigos da vacinação; dos embates nas ruas entre a população e os policiais ocasionando a derrubada de quiosques, bondes quebrados e incendiados, e a construção de barricadas. 

49. a) Alguns motivos para a insatisfação popular que levou à Revolta: o rígido regulamento aprovado pelo Congresso Nacional destinado a promover a campanha de vacinação para eliminar os focos de varíola que tomavam conta da cidade (obrigatoriedade da vacinação; isolamento à força dos doentes; multa aos refratários, etc.); a falta de amplo esclarecimento público sobre a campanha; a tensão vivida por setores da população com as repercussões da reforma urbana.

b) Canudos e Contestado. 

50. a) Contrário - as reformas tinham caráter elitista, não levando em consideração a situação da população pobre, como, por exemplo, na derrubada de habitações para a abertura de avenidas sem garantia de moradia para os desabrigados. Favorável - o embelezamento da cidade e a erradicação de diversas moléstias que assolavam o Rio de Janeiro.

b) Revolta da vacina. 


Um comentário:

Anônimo disse...

leia aki

agora aki kkkkkkkkkk vc continua lendo SABE DE NADA INOCENTE