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domingo, 19 de agosto de 2012

LENIN: UMA BIOGRAFIA

Vladimir Ilich Ulyanov é uma das mais influentes figuras políticas do século XX. Como líder do Partido Bolchevique, mudou o rumo da Revolução Russa em outubro e implantou o primeiro governo de orientação socialista da História.



Vladimir Ilich nasceu no dia 22 de abril de 1870 (no calendário juliano, 10 de abril, no gregoriano), na cidade russa de Simbirsk, às margens do rio Volga, um dos maiores da Rússia. A educação sempre fora prioridade para sua família, e Vladimir chegou à faculdade de Direito, onde desenvolveu seu radicalismo político. Suas referências teóricas são Tchernitchevski, Plekhanov ( que conheceu no exílio na Sibéria), Frierich Engels e Karl Marx.



Não apenas os estudos o confrontaram com ideias radicais. Seu irmão mais velho, Alexandre Ulyanov, estudante em São Petersburgo, envolveu-se com o grupo terrorista Pervomartovtsi (também conhecido como Narodnaya Volya, ou a Vontade do Povo), responsável pelo assassinato do czar Alexandre II (em 1855) e por várias tentativas de assassinar seu sucessor, Alexandre III. Por ter sido cúmplice no caso de Alexandre III, seu irmão foi condenado à morte em 1887, quando tinha apenas 21 anos.


Na época, Vladimir tinha 17 anos, morava em Kazan e envolveu-se numa manifestação com demandas de cunho acadêmico. Por isso foi impedido de dar continuidade ao curso de Direito, retornando aos estudos 3 anos depois, mesmo assim como estudante externo, podendo prestar exames anuais sem contudo frequentar a faculdade.

Em 1893, após formar-se, Vladimir parte para São Petersburgo, que fora capital do Império Russo até 1918, (então Petrogrado, nome dado em homenagem ao czar que a fundou, em 1703, Pedro I da casa Romanov), a fim de aprofundar-se no estudo do panorama político-econômico russo. Como muitos de seus contemporâneos, foi exilado na Sibéria (de 1897 a 1900), onde conheceu e casou-se com a militante socialista Nadeja Krupskaya. Lá publicou cerca de 30 trabalhos teóricos, como O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia, sob o pseudônimo de Vladimir Ilin. 

Nadeja Krupskaya.
Nessa obra, por exemplo, expõem-se as condições materiais da Rússia czarista do início do século XX, enfatizando a necessidade de que estas sejam suficientes para formar uma classe operária em Moscou e Petrogrado, que, estimulada pelo acirramento da luta de classes, seria o motor da revolução socialista. 

Czar Pedro I da casa russa de Romanov, fundador de Petrogrado.


Após o exílio, adota o pseudônimo Lenin (uma derivação rio Lena, localizado na Sibéria) e mora em Munique, Londres e Genebra. De 1900 a 1905, Lenin funda o jornal Iskra (Faísca) com Martov, que mais tarde, num dos congressos do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR-1903), se tornaria seu principal opositor. Enquanto Martov defendia uma aliança entre as classes operárias e a burguesia, Lenin pregava a necessidade de uma aliança operário-camponesa. Outro fator discordante entre ambos foi exposto na obra Que Fazer?, em que Lenin confronta o socialismo moderado e as teorias reformistas, rompendo de vez com as ideias de Martov. Deu-se a cisão no interior do POSDR entre os moderados mencheviques ("minoria"), partidários de Martov, e os radicais bolcheviques ("maioria"), de Lenin.

Placa memorial na casa onde Lenin viveu, em Londres.

Em 1905, por conta das agitações contra a participação (e esmagadora derrota) na Guerra Russo-Japonesa, Lenin volta a seu país de origem brevemente. Na volta para o exílio, condição que perdura até 1917, cria o leninismo, doutrina que visa a adaptar o marxismo urbano à Rússia agrária, dinamizando a revolução.

Em fevereiro de 1917, Lenin ainda estava exilado em Zurique, quando o czar foi forçado a abdicar devido às agitações provocadas pela crise abastecimento que assolou a Rússia durante a Primeira Guerra Mundial. O governo provisório passou a ser dividido entre parlamentares e uma matriz dos sovietes, entidade revolucionária cujos líderes eram eleitos pelo povo.

Na difícil viagem de volta para casa, Lenin escreveu as Teses de Abril, o programa do Partido Bolchevique, nas quais criticava a revolução burguesa de fevereiro e conclamava os bolcheviques. A hora seria agora, já que a Rússia, enfim, sob a burguesia, estaria em condições favoráveis para uma revolução popular (operário-camponesa). Ele pregava uma campanha de conscientização política da necessidade de dar "Todo poder aos Sovietes!". O radicalismo das Teses de Abril fez com que Lenin fosse vaiado pelos mencheviques, e a ala bolchevique tornara-se um refúgio para aqueles que estavam insatisfeitos com o governo provisório. Lenin foi novamente exilado (na Finlândia).

A permanência da Rússia revolucionária na Primeira Guerra fez com que a fé no governo provisório fosse abalada. Quando o comandante-em-chefe do exército russo, o general Kornilov, marchou em direção a Petrogrado, o então primeiro-ministro do governo provisório, Kerenski, buscou ajuda dos Sovietes. Estes se recusaram. Era o fim da revolução de Fevereiro.

O jornalista americano John Reed descreveu o homem que apareceu às cerca de 8:40 para "uma onda de aplausos trovejantes": "Uma figura, baixa e atarracada, com uma grande cabeça estabelecida em seus ombros, calvo e saliente. Olhos pequenos, boca larga e queixo pesado, bem barbeado agora, mas já começam a ofender com a barba bem conhecida de seu passado e futuro. Vestido com roupas surradas, calças demasiadamente longas para ele. Inexpressivo, para ser o ídolo de uma multidão, amado e reverenciado como talvez poucos líderes na história pode ter sido. Um estranho líder popular — um líder exclusivamente em virtude do intelecto; incolor, sem humor, intransigente e individual, sem pitorescas peculiaridades, mas com o poder de explicar ideias profundas em termos simples, de analisar uma situação concreta. E combinado com astúcia, a maior audácia intelectual."
Obra do jornalista norte-americano John Reed, testemunha ocular da Revolução Russa.

O poder passou automaticamente para os Sovietes, que procederam nas eleições para os membros dos Comissários do Povo. A Rússia saiu da guerra, assinando o Tratado de Brest-Litovski. A propriedade privada foi abolida. Os bancos estrangeiros foram nacionalizados. Foi decretada a autodeterminação dos povos que viviam sob o jugo do deposto Império Russo. Direitos civis e políticos foram criados (saúde e educação gratuitas) e estendidos às mulheres. Mas nem tudo eram flores. 

Os anos entre 1918 e 1921, foram de guerra civil na Rússia: Exército Branco (contrarrevolucionário e a favor da volta do czarismo) contra Exército Vermelho (porta-voz da Revolução de 1917). O comunismo de guerra implantado por Lenin também resultou em crise interna (camponeses "versus" kulaks - termo pejorativo soviético usado para designar ricos proprietários de terras russos). Além disso, uma crise de fome vitimou cerca de 5 milhões de pessoas.

Com a batalha final da guerra civil, a Revolta de Kronstadt, Lenin lança a NEP (Nova Política Econômica), que visa a desenvolver a forças produtivas russas, a fim de  consolidar os postulados do movimento de outubro de 1917. Essa política econômica ficou conhecida pela máxima "um passo pra trás, para dar dois pra frente", já que o comunismo de guerra foi abandonado em nome da adoção de medidas econômicas capitalistas pelo Estado: Lenin retrocederia, para evitar a invasão de capitais estrangeiros na economia do país e reconstruir a economia russa.

Agora era hora de consolidar e revolução em caráter permanente. Para tanto, Lenin convocou o Comintern ou Internacional Comunista, esperando que esta fosse se tornar uma agência da revolução socialista internacional. Com sua morte, Josef Vissarionovicth Stalin dominou a política soviética e verdadeiramente traiu os ideais da Revolução de 1917, uma vez que afastou suas lideranças do poder e instaurou uma ditadura personalista no lugar da ditadura do proletariado.

Mausoléu de Lenin.


Lenin sempre tivera saúde delicada e requeria cuidados especiais das mulheres da casa: mãe, irmãs, esposa. O corpo de Lenin foi embalsamado e encontra-se num mausoléu na Praça Vermelha, na capital Moscou.

Seu legado para as gerações posteriores é enorme. Propôs-se à práxis revolucionária, não constituindo-se em mais um teórico socialista. A condução da causa revolucionária, durante sua vida, foi entremeada de altos e baixos, mas o que se pôde perceber foi a capacidade de autocrítica por parte deste que é uma das maiores personalidades e referências do século XX.

Leia aqui, noutra postagem desse mesmo blog, uma das interpretações feitas sobre a Revolução Russa.

Espero que tenham gostado do texto!



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