SUPERSTIÇÃO - atualizado

Durante 110 anos, desde que Abraham Lincoln foi assassinado, em 14 de abril de 1865, no Teatro Ford de Washington, capital dos Estados Unidos, nenhum presidente tornou a pôr os pés nesta casa de espetáculos. A tradição foi quebrada em 1975, pelo então presidente Gerald Ford , para assistir a uma peça que retratava a vida de outro presidente, Harry Truman.

Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860, durante a crise política interna que provocaria a Guerra de Secessão. Defensor dos interesses dos industriais do Norte, Lincoln comprou uma baita briga com os Confederados, vindo a ser assassinado em pleno teatro, durante os risos da plateia. Seu assassino teria escapado e dito: "Sic semper tyrannis" (Isso sempre acontece a tiranos)


Nesse site você acha uma reunião de documentos que acabaram de ser encontrados após 147 anos de existência. Trata-se do relato de um jovem médico que participou do socorro ao então presidente.



A cópia das 21 páginas de um relatório do médico militar Charles A. Leale, com 23 anos na época, foi descoberta por uma pesquisadora da associação "Documentos de Abraham Lincoln", Helena Ilhas Papaioannou, entre centenas de caixas de arquivos dos serviços médicos do Exército, anunciou a associação dedicada à obra escrita do 16º presidente dos Estados Unidos.


Charles Leale, formado em Medicina seis semanas antes do atentado, indicou em um depoimento escrito poucas horas depois do fato que ele se encontrava naquele 14 de abril de 1865 no Teatro Ford, em Washington, a cerca de dez metros de distância do presidente.

"A apresentação da peça ´Our american cousin´ (Nosso primo americano), seguia agradavelmente o seu curso, quando, de repente, ouvimos claramente um tiro. Um minuto depois, vimos um pequeno homem saltar (do camarote) no palco", escreveu o médico que desconhecia até então a identidade do assassino John Wilkes Booth.
"Houve gritos: ´O presidente foi assassinado!´, e depois ´Matem o assassino´", contou o jovem médico, que foi "levado às pressas para o camarote".
"Assim que a porta se abriu e eu entrei, fui apresentado à Sra. Lincoln que disse:´Oh doutor, faça o que puder por ele, faça o que puder´. Eu respondi que faríamos o nosso melhor", escreveu.
O jovem, o primeiro médico a chegar, descreve em seguida, de maneira muito clínica, o estado do presidente, como ele localizou a bala em sua cabeça e pediu por "água oxigenada e água".
Os médicos oficiais chegaram ao local e decidiram levar Abraham Lincoln para uma casa próxima, onde "colocamos o presidente na diagonal em uma cama, que era muito pequena", escreveu Charles Leale.
Após examinar o ferimento, "nada mais foi feito, além de impedir a coagulação do sangue", prossegue o relatório, relatando o pulso intermitente do presidente e sua respiração cada vez mais difícil.
"Às 07h20, ele deu seu último suspiro e sua alma voou para Deus", acrescenta a testemunha.
Para Daniel Stowell, diretor da associação, "este relatório é notável porque é um testemunho feito naquele mesmo momento, de maneira comovente. Podemos sentir como Leale e outros médicos sentiram-se impotentes, mas, ao mesmo tempo, não afundaram no sentimentalismo", disse.
Abraham Lincoln (1809-1865), um dos presidentes americanos mais admirados - e o primeiro a ser assassinado - foi eleito algumas semanas antes do início da Guerra de Secessão e morto cinco dias após o fim oficial do conflito entre o norte e o sul.
Ele permanece na história como aquele que assinou a emancipação dos negros, que levou à abolição da escravatura.
O assassino John Wilkes Booth, morto a tiros duas semanas depois pelo exército, era um defensor do sul.
Charles Leale enviou, em julho de 1867, uma cópia do seu relatório, escrito pela mão de um secretário, para a comissão da Câmara dos Deputados encarregada de investigar o ataque, e nada mais foi dito sobre ele.
Apenas uma alusão foi feita em 1909, 44 anos depois, em um discurso para marcar o centenário do nascimento do presidente assassinado.
Texto retirado daqui.

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