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segunda-feira, 14 de maio de 2012

A CHINA MEDIEVAL


A China atual é um país continental marcado pela diversidade cultural, étnica e linguística. Um exemplo disso é chamarmos de língua chinesa o que, na verdade, é o mandarim, um dos vários dialetos falados no país e cujo ensino é obrigatório em todas as suas províncias.
Em Hong-kong, por exemplo, ex-possessão britânica, recentemente reintegrada à República Popular da China, a língua falada pelos habitantes é o cantonês, que é incompreensível para chineses de outras regiões.
O turista estrangeiro que visitar os rincões da China encontrará diversas minorias étnicas. Atualmente, o governo chinês reconhece a existência de pouco mais de cinqüenta grupos. Entre eles, podemos destacar as etnias hui e cazaque.
Por tudo isso, podemos concluir que não é fácil para um governo (não importa qual seja o regime) manter a unidade política em um território tão vasto quanto o da China. Nem hoje nem no passado mais distante. Por outro lado, podemos perceber que tal unidade foi criada e mantida muitas vezes com o uso da força bruta. E como veremos, na história chinesa, tal unidade já foi destruída e reconstruída algumas vezes.

Tang Taizong, imperador mestiço

O segundo imperador Tang era de origem chinesa, por parte do pai, e turca, por parte da mãe. Esse fator contribuiu para que a dinastia Tang fosse caracterizada pela mescla de elementos das duas culturas e fosse mais aberta para inovações, rompendo com algumas das antigas tradições chinesas.
Taizong incorporou várias tropas turcas ao exército chinês, nomeando oficiais turcos e utilizou esse exército contra os próprios reinos turcos. O império dos Tang era multicultural: além de turcos e chineses, também abrigava comunidades de origens indiana, persa e árabe, entre outras.

Reforma agrária e concursos públicos

Durante o reinado de Taizong, o governo tomou medidas que contribuíram bastante para o desenvolvimento da China. Uma delas foi a reforma agrária: o imperador desapropriou as terras que pertenciam aos seus inimigos (era uma forma de evitar que os nobres se rebelassem contra o imperador) e as dividiu entre os camponeses que nela trabalhavam (conquistando, assim, apoio popular).
Para administrar o país, o imperador precisava de funcionários públicos qualificados. Então ele instituiu concursos públicos, nos quais os candidatos que apresentassem melhor desempenho nas provas eram selecionados. O critério de seleção baseava-se apenas no desempenho do candidato na prova, independente de sua origem social. Por isso, se diz que a China do período era uma meritocracia, ou seja, um regime em que as pessoas conquistam cargos com base no mérito e não por "apadrinhamento".


Fase de prosperidade

Durante a dinastia Tang, a China conheceu uma fase de grande prosperidade e progresso técnico e material. Entre as inovações que marcaram o período está o aparecimento do primeiro relógio mecânico, no ano 732, inventado por um monge budista chinês.
Outras invenções que marcaram o período foram a bússola e a técnica de imprimir livros. Enquanto na Europa, nos mosteiros católicos, os chamados monges copistas tinham que transcrever manualmente livros antigos para se obter novas cópias, na China já era possível imprimir vários exemplares de um mesmo livro.
Essa mesma técnica de impressão permitiu que as provas para os concursos públicos chineses da época fossem impressas. Durante a dinastia Tang, a China teve suas fronteiras ampliadas e o comércio se expandiu. O período também foi marcado pela fundação de várias escolas de medicina, não apenas na capital, Chang'an, mas também nas províncias.
Uma das conseqüências do desenvolvimento econômico foi o extraordinário aumento da população, favorecido pela melhoria nas condições de vida da maioria dos habitantes. Segundo o primeiro censo, realizado em 754, a população da China já havia ultrapassado a faixa dos 50 milhões, um número excepcional para a época.
No entanto, essa prosperidade não durou para sempre. O final da dinastia Tang foi conturbado, marcado por uma série de crises. Durante o reinado de Taizong, os camponeses pagavam impostos em espécie (entregando parte do arroz que plantavam) ou na forma de trabalho; mas, a partir de 780, o governo passou a exigir que os impostos fossem pagos em dinheiro. Tal exigência era impossível de ser cumprida pela maioria dos camponeses e, por isso, muitos deles perderam suas terras.

Perseguição aos budistas

Outro problema que surgiu foi a escassez de cobre e outros metais para cunhar moedas. Naquela época, o dinheiro era todo na forma de metal. Falta de metal era igual a falta de dinheiro. O governo colocou a culpa nos templos budistas que usavam bronze e outros metais para construir seus sinos e estátuas.
Em meados do século 9, ele começou a confiscar todos os objetos de metal dos templos budistas para derretê-los e cunhar novas moedas. Outra medida foi baixar um decreto que acusava o budismo de ser uma religião estrangeira (surgiu onde hoje é o Nepal), que estava enfraquecendo o país.
O governo se apropriou das terras onde estavam vários mosteiros budistas. Alguns foram destruídos enquanto outros foram transformados em edifícios públicos. Devido à extensão da China, essas medidas antibudistas só conseguiram ser cumpridas em algumas regiões. Nas outras, eles continuaram praticando sua religião nos templos e mosteiros.

A decadência da dinastia Tang

Outros problemas assolaram o país: uma grande seca e uma praga de gafanhotos trouxeram a fome e provocaram uma série de revoltas camponesas. Uma delas ocorreu no século 9, quando vários camponeses famintos saquearam as duas capitais, Chang'an e Luoyang. Apesar de derrotada, essa rebelião enfraqueceu o exército chinês e contribuiu para o declínio da dinastia Tang.

A partir do ano 902, teve início uma longa guerra civil que levou ao esfacelamento do país em vários reinos menores. Em 906, o general Zhu Wen depôs o último imperador Tang e deu início ao período das cinco dinastias, 907-960, também conhecido como período dos dez reinos.

A China voltou a ser reunificada somente a partir do ano 960. O responsável por isto foi o general Zhao Kuangyin que deu início a uma nova dinastia - a dos Song (960-1279). Os Song conseguiram reunificar a maior parte da China, exceto a parte norte que estava sendo governada por um povo mongol. Durante esta dinastia, a China se tornará pioneira no uso do papel-moeda e no da pólvora. Mas essa já é uma outra história.

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